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Prado do Repouso
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para o Alexandre Bahia
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Proporás um cemitério
a tinta-da-china ou carvão
que o município aprovará:
prado a perder de vista
onde em vez de mausoléus
araucárias de família
com mineiras raízes
abrindo catacumbas
de primitiva cristandade,
Éden a vau no caudal do Estige.
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Desenharás um cemitério
sem nos perderes de vista
(que somos senão adiadas
e símias lápides andantes?),
fá-lo-ás no terraço
da Duque de Palmela,
a mesma de Eugénio
que tão perto repousa
com luz de pedras por navio
fronteiro às garagens diurnas.
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Desenharás um cemitério
com tudo o que aos mortos aproveite
e não apenas ao luto dos vivos:
biblioteca, esplanada, café de saco,
jardins super flumina duriensis.
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Fa-lo-ás com a calma de um
piloto
bairrista e portuense.
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Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira
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