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Rua das Escolas, escritório do
Jorge
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para a Helena Ramos Pereira,
com as boas-vindas do mundo,
a 16 de Outubro de 2007, Porto.
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Oxalá, minha filha,
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possas também amar estes baldios
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que me raptam a vista
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quando me abeiro da janela
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e que a turvam, ali onde ela
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faz de corista onde incidem
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holofotes de Outubro
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descendo sobre o palco
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o pano da buganvília,
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e os pardais actuam no muro
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com seu trapeiro figurino,
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e se recolhem depois com frio
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aos bastidores onde a noite
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se impacienta, porque o Porto
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tem receio de entrar em cena,
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e às vezes, infantil, faz birra,
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ou não encontra ninguém na rua
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como se fora seu fantasma
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ou inimigo.
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Faz tu as honras da casa,
Helena,
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encoraja-o com palavras,
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com palmadinhas no ombro,
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minha filha, devagarinho,
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fá-lo entender que nem sempre
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o sono repara, que também
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o silêncio é daninho,
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que nem sempre convém sair
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ou entrar assim,
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tão de mansinho.
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Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira
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