|
 |
 |
|
 |
 |
 |
 |
|
 |
| |
-
-
Nómadas do Carrossel
-
-
-
-
Pensais que não sou feliz?
-
-
A minha casa é pequena,
-
-
o meu quarto um catre,
-
-
tudo cheira sobejamente mal
-
-
(óleo de farturas, urina de
bêbado,
-
-
molho de manteiga),
-
-
mas gabo-me de tê-la
-
-
por convés dos meus sonhos
-
-
- os sonhos, já se sabe,
-
-
são o cordame das velas
-
-
que a viagem levou.
-
-
Não sendo tal barca veloz,
-
-
consegue manter constante
-
-
a distância que me separa
-
-
do horizonte
-
-
(meu olhar o sustém como um
sextante,
-
-
ainda há pouco osculei o
astrolábio
-
-
de uma ursa menor).
-
-
-
-
Ainda achais que não sou feliz?
-
-
Deixemos de lado as metáforas
náuticas:
-
-
faço soar o apito do carrossel,
-
-
conduzo camelos e agasalho
girafas,
-
-
dou voltas a chávenas e pires
colossais,
-
-
arrumo os carros de choque,
-
-
com damas, de top cor-de-rosa,
-
-
a acenar de chupa-chups na boca
-
-
e dance-music a bombar
-
-
- trim trim mais uma volta,
-
-
perna cruzada, cigarro na boca,
-
-
uma só mão no volante,
-
-
cachecol do FCP
-
-
Ray-Ban dans le nez!
-
-
-
-
Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira
|
| |
 |
|
|