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Avestruz na VCI
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Passai manadas com patas
anti-bloqueio,
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garrotes pré-tensores, olhos de
xénon,
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estômagos de explosão,
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passai enquanto enfio a cabeça
na terra,
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na pouca que resta mas acolhe
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anémicas papoilas
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e subnutridos gafanhotos.
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Deixai-me com meus renques
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de salsa, menta e hortelã.
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Pássaros não os ouço,
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vejo-lhes o enxame das asas
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além, nas ameias de teixos
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sempre que buzina um camião.
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Acossado por rails que reclamam
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de quando em quando a cabeça
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de um motard,
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sitiado pelo asfalto viscoso
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de tanta gataria decalcada,
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cultivo derreado o meu quintal.
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e gritasse agora
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nem as toupeiras me ouviriam,
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quanto mais as ordens dos anjos.
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Cultivo este nó que me ata
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ao arado, e me desata
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de sistemas de som
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e habitáculos climatizados.
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Este nó que me desliga de vós
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mas não de mim,
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provisória terra,
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derradeiro separador central.
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Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira
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