|
 |
 |
|
 |
 |
 |
 |
|
 |
| |
-
-
Recolha: Francos
-
-
-
Fomos Francos, viemos
da Salândia e da Panónia,
tomámos ricas cidades aos romanos,
lavámos as mãos nos seus caldários
e os pés nos tepidários de Ravena
e Tarrascona
(o que não faz de Francos um campo santo,
mas passável e comum
como os demais campos da morte).
-
-
Somos francos: não custa, nem
dói,
o solo arejado por vermes,
rico em matéria decomposta
(temo-lo nas veias, pequenos córregos,
cabedelos de areia).
-
-
Em francos o que dói
são as queimaduras solares,
as virulentas chagas na pele,
fungos, cardos, urtigas,
a broa de tijolo e betão.
-
-
Sejamos francos:
privados dos sempre leais autocarros
só nos resta levar a mão aos cabelos
com o firme propósito
de os arrancar.
-
-
-
Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira
|
| |
 |
|
|