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FEIRA DO GADO NA PRAÇA DA CORUJEIRA

 

Aparecíamos em casa de cotovelos
esfolados,
porque em grupo as bicicletas
volviam-se temerárias.
Investíamos sobre rezes
e parelhas de bois
enquanto se armavam as tendas da feira
só mudando a trajectória
no instante derradeiro.

Não falo de uma vila do nordeste
transmontano,
falo de uma praça no Porto.
O sol não traz engano:
quem lhe dera estender ainda
espaçosas clareiras para
melancólicos cavalos.

Mas os junkies são agora o gado possível,
de vida curta e apetite voraz,
desdenhados pelos velhos
que há muito esqueceram
o que era lavrar
ou podar.

Estrume, lixo e terra
assim na origem
como na queda.

 

Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira