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- ILHA PORTUENSE JUNTO À
DAMIÃO DE GÓIS
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Vinde para a luz,
toupeiras,
aventurai-vos ao sol,
ainda que pobre,
desempregado,
sem superfícies decentes
onde pousar.
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Como podeis viver assim
da escuridão?
Deixai vossas tocas,
vossos buracos de luxo
com aquecimento central.
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Isto vos garanto: vereis
quão belo pode ser um lençol
a dançar no estendal,
fatiado nas pontas pela sombra
dos muros, abelhas
à volta das molas garridas,
e crianças dando vivas
como se o lençol,
ao vento se entregando,
pudesse levar estes marujos
a algum lado,
tirá-los das galés,
embarcá-los,
ou, içado em fragata,
levar suas Nausicas e Circes
a buscar marido
ou amante.
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Vinde ver nossa ilha
de evasivos gatos
e roupa lavada à mão,
estranhar seus costumes
tão cedo ternos quanto brutais.
Só não tenham é pena
dos náufragos:
nunca enviámos
qualquer S.O.S.,
nem tampouco desejamos
o resgate.
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Esta ilha não é um destino,
esta ilha
é um Porto.
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para a Ana Luísa Amaral
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Texto: Rui Lage
Fotografia: Jorge Garcia Pereira
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